segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O amor..



Toma a minha vida
Serve-te dela
Respira pelos meus pulmões
Toma a minha voz
E diz através dela as coisas indiziveis pela tua
Corrompe a minha alma com os tormentos que mutilam a tua
Queima a minha carne como se a tua castigasses pelos pecados que te negas
Prostitui o meu corpo com os amores de rua que amas com desprezo
Envenena-me as ideias com os medicamentos viciantes que te deturpam a visão
Anda com os meus pés nessa rua mal iluminada de piso encharcado
Chora com as minhas lágrimas as dores que não sabes sentir
Abraça os estranhos com os meus braços
Conta as minhas estórias para esconderes as tuas
Abre a janela do meu quarto em vez da tua de vidro partido
Deita-te na minha cama
Não na tua
Essa fede ao horror do teu suor
Olha-te no meu espelho
Ele reflete os meus olhos, não a tua verdade
Deita-te no meu regaço
Aninha-te no meu colo
Conta-me os teus segredos
Tesouro trancado em cofre sem chave
Esconde-te aqui
Na palma da minha mão
Não abro os dedos
Por mais que se me sangrem as unhas...

Faz de mim o sonho ainda por sonhar...

Um comentário:

Elissandro Ferreira disse...

me parte a alma pelo olhares me entrego em versos, seja constante seja sempre.